FUNAI reconhece Terra Indígena Ararà no Amazonas com 727 mil hectares para povos originários
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) aprovou, por meio de Despacho Decisório, o reconhecimento formal da Terra Indígena (TI) Ararà, localizada no estado do Amazonas. A área totalizada é de aproximadamente 727.054 hectares, abrangendo os municípios de Urucará, São Sebastião do Uatumã e Nhamundá.
O reconhecimento oficializa a ocupação tradicional dos povos indígenas Okoymoyana, Xowyana, Kararayana e grupos isolados. O estudo técnico, que embasou a decisão, detalha a história desses povos, marcada por pressões de exploração econômica, como mineração e extração de látex, e contatos forçados ocorridos desde o século XVII, que levaram a surtos epidêmicos e dispersão populacional.
O relatório técnico aponta que, atualmente, 169 pessoas residem em duas aldeias principais no Rio Jatapu, Kahxe e Kumunyàrà, mantendo um forte vínculo ancestral com o território, apesar de terem sido historicamente coagidos a se deslocar. O documento também destaca a soberania alimentar dos grupos, baseada na caça, pesca e roçados, e a existência de um complexo sistema de manejo ambiental.
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A publicação do DOU também revela a situação fundiária da área. O levantamento identificou sobreposição de registros no Cadastro Ambiental Rural (CAR) em 78,4% da TI e a presença de 12 ocupações não indígenas, muitas delas ligadas à agricultura de subsistência. Além disso, foram listadas empresas mineradoras inativas que atuaram na região, como a SIDERAMA, indicando a pressão histórica sobre o território.